Artigo

Osteopatia Infantil

Dentro da barriga da mãe, o bebé vai crescendo e o espaço diminuindo. As formas maternas vão deixando no corpo uma memória postural. Depois, vem o trabalho de parto, sujeitando o bebé a sucessivas compressões. Muitas vezes, utiliza-se ocitocina artificial para acelerar o parto, o que produz contracções irregulares ainda mais fortes do que as naturais. Por fim, se for necessário o recurso a fórceps ou ventosa, novas forças são exercidas sobre o corpo do bebé. Todos estes acontecimentos podem provocar alterações na estrutura física do recém-nascido. Normalmente não são lesões graves, nem visíveis, por isso, não são facilmente identificáveis aos olhos dos pais ou do pediatra. Mas muitos dos habituais problemas dos bebés nos primeiros dias de vida podem ter origem nestas situações.
Um dos ossos sujeito a grandes forças de compressão pelas contracções, bem como pela passagem pelo canal vaginal, é o occipital (osso do crânio), que se encontra situado acima da primeira vértebra cervical.
Entre o occipital e o pescoço encontra-se um pequeno espaço designado por foramen jugular. Daqui saem quatro nervos cranianos, os quais são responsáveis pela enervação do palato, da faringe, cordas vocais, base da língua, função respiratória, ritmo cardíaco e grande parte do aparelho digestivo. Se as forças do parto comprimirem o occipital, isso implicará uma compressão sobre estes quatro nervos. Isto pode originar cólicas, refluxo gástrico, bolçar excessivo, dificuldade na sucção e alteração do ritmo respiratório e cardíaco. No entanto, a osteopataia faz questão de ressalvar que a cesariana não traz mais benefícios ao bebé neste aspecto.
O parto normal, por ser um processo fisiológico natural, representa, na maior parte das vezes, vantagens para o corpo do bebé.
Um dos casos mais comuns é a compressão de alguns nervos, que saem na base do crânio e que quando perturbados podem levar a sintomas nos bebés, como as cólicas, refluxo gastro-esofágico, bolçar excessivo e/ou dificuldades na sucção.
Outros problemas mecânicos no crânio desencadeiam alterações do normal arejamento ou fluxo de líquidos.
É o que acontece em muitas otites de repetição e nas situações de obstrução do canal lacrimal. Todas estas situações são detetadas por testes de mobilidade e elasticidade dos ossos e membranas do crânio do bebé e são tratadas pela osteopatia recorrendo a técnicas manuais suaves.

Outra das situações que pode beneficiar com o tratamento de osteopatia é uma deformação muito comum no crânio, em que a cabeça do bebé apresenta uma forma oblíqua. Esta situação é, muitas vezes, reversível apenas com a aplicação de técnicas osteopáticas cranianas e outras vezes com o auxílio de um “capacete” de correção.
O torcicolo congénito no bebé, em que este é incapaz de rodar o pescoço para um dos lados consequência de fibrose e encurtamentos musculares maioritariamente benignos, é outra situação pode ser corrigida com técnicas manuais de mobilização e alongamento.
A Osteopatia é uma disciplina científica que estuda as disfunções do movimento ao nível neuro-musculo-esquelético, visceral e craniano, tratando com recurso a técnicas exclusivamente manuais com o objetivo de eliminar a dor, promover o equilíbrio das tensões e normalizar as pressões. 


SITUAÇÕES EM QUE A OSTEOPATIA PODE AJUDAR OS BEBÉS

Torcicolo,Cólicas,Bolçar excessivo,Choro prolongado,Alterações do sono,Obstipação,Alterações da tonicidade muscular,Alterações da forma do crânio,Hiperactividade,Otite,Dificuldades na sucção,Dificuldade da articulação de alguns sons,Rinite,Sinusite.